Das canções alemãs ao rock and roll: Fridas de Taió se preparam para voltar à Oktoberfest Blumenau
Com cerca de 30 mulheres no grupo, as Fridas conquistaram o público ao misturar trajes típicos, tradição germânica e clássicos do rock. Nesta terça-feira, o grupo realiza o último ensaio antes da primeira apresentação na edição de 2026 da maior festa alemã das Américas.
Se alguém pensa que tradição alemã combina apenas com músicas folclóricas, vestidos típicos e coreografias tradicionais, as Fridas de Taió estão prontas para provar o contrário. Com muita personalidade, talento e uma boa dose de irreverência, o grupo vocal transformou a mistura entre a cultura germânica e o rock and roll em uma marca registrada que conquistou o público dentro e fora de Santa Catarina.
E a contagem regressiva para mais um capítulo dessa história já começou. Na noite desta terça-feira (13), as integrantes realizam o último ensaio antes da primeira apresentação na Oktoberfest Blumenau 2026. É aquele momento em que cada detalhe importa: a música precisa estar afinada, a energia tem que estar lá em cima e o espírito das Fridas precisa estar pronto para mais uma vez contagiar o público.
Mas, se depender da trajetória construída desde 2017, não falta experiência para encarar o palco. Afinal, elas já mostraram que conseguem unir o respeito às raízes germânicas com uma atitude que tem tudo a ver com o bom e velho rock and roll.
Uma história que começou com o desejo de preservar as raízes
A história das Fridas de Taió começou em 2017, quando um grupo de mulheres decidiu se unir pela música com uma missão especial: valorizar e preservar as tradições germânicas que fazem parte da identidade cultural do Alto Vale do Itajaí.
Sob a regência de Denize Purnhagen, o grupo nasceu como uma iniciativa voluntária e, desde então, vem construindo uma trajetória que combina amizade, dedicação e amor pela cultura alemã.
Hoje, as Fridas reúnem cerca de 30 mulheres, com idades que vão dos 20 aos 70 anos. São diferentes gerações reunidas em torno de uma mesma paixão, mostrando que a música não tem idade e que a tradição pode continuar viva quando encontra pessoas dispostas a mantê-la presente.
Os trajes típicos, conhecidos como dirndl, fazem parte da identidade visual do grupo. As canções alemãs também seguem ocupando um espaço importante no repertório, mantendo viva a proposta que deu origem à iniciativa.
Mas, com o passar do tempo, as Fridas perceberam que preservar uma tradição não significa necessariamente repetir tudo como sempre foi feito. Às vezes, para conquistar novos públicos, também é preciso ousar.
E foi justamente aí que a história ganhou uma nova trilha sonora.
Imagine a cena: mulheres vestidas com trajes típicos germânicos, o clima de uma festa tradicional e, de repente, os acordes de um dos maiores clássicos do rock mundial começam a ecoar. É nesse momento que muita gente percebe que as Fridas não são apenas mais um grupo musical.
A mistura entre o visual tradicional e a energia do rock and roll se transformou em uma das principais características das apresentações. A proposta mantém a ligação com as raízes alemãs, mas acrescenta uma dose de surpresa, irreverência e personalidade.
Afinal, quem disse que um dirndl não combina com uma guitarra imaginária, uma batida marcante e um refrão cantado a plenos pulmões?
A combinação conquistou espaço justamente por quebrar expectativas. Em vez de abandonar as tradições, as Fridas encontraram uma maneira própria de apresentá-las, aproximando diferentes gerações e mostrando que a música pode conectar universos que, à primeira vista, parecem distantes.
O resultado é um espetáculo que chama a atenção tanto de quem frequenta as festas germânicas há muitos anos quanto de quem talvez nunca tivesse parado para ouvir uma apresentação desse tipo.
De Taió para milhões de telas
Se a mistura musical já chamava a atenção nos palcos, foi em 2024 que as Fridas de Taió alcançaram uma repercussão ainda maior nas redes sociais.
Durante a 32ª Festa Trentina, em Rio dos Cedros, no dia 8 de setembro daquele ano, o grupo apresentou uma versão de Highway to Hell, clássico da banda australiana AC/DC.
A performance foi registrada em vídeo e publicada pelo portal Misturebas News, dando início a uma repercussão que ultrapassou as fronteiras catarinenses.
O vídeo ultrapassou 860 mil visualizações nas redes sociais em poucos dias, somando os números registrados no Facebook e no Instagram. Na sequência, a apresentação continuou circulando e chegou a ultrapassar um milhão de visualizações.
A repercussão foi tão expressiva que o grupo passou a receber convites para apresentações e entrevistas. Segundo reportagem publicada em outubro de 2024, as Fridas haviam recebido mais de 20 convites para tocar em pelo menos quatro estados brasileiros.
Foi a confirmação de que aquela mistura inusitada tinha conquistado o público. O que começou como uma forma de inovar no repertório passou a representar uma oportunidade de levar o nome de Taió, do Alto Vale e da cultura germânica catarinense a novos lugares.
E tudo isso sem precisar trocar os trajes típicos por jaquetas de couro ou abandonar as músicas que deram origem ao grupo. As Fridas encontraram o próprio caminho: manter as raízes firmes e deixar a criatividade fazer o resto.
Mais do que música: amizade, dedicação e muitas histórias
Por trás dos vídeos que viralizam e dos aplausos nos pavilhões, existe uma rotina que exige comprometimento.
Um grupo com cerca de 30 integrantes, de diferentes idades, precisa conciliar horários, organizar ensaios, preparar apresentações e trabalhar para que todas estejam alinhadas quando chega a hora de subir ao palco.
E é justamente esse trabalho coletivo que sustenta a trajetória das Fridas. A apresentação que o público acompanha durante alguns minutos é resultado de uma preparação que começa muito antes de as luzes se acenderem.
A diversidade de gerações também ajuda a explicar a identidade do grupo. Mulheres com experiências de vida diferentes compartilham o mesmo espaço, aprendem umas com as outras e encontram na música uma maneira de manter vínculos e construir novas memórias.
Nas festas de outubro, essa união ganha um significado especial. Os trajes, as músicas e a interação com o público ajudam a preservar elementos da cultura regional, enquanto a irreverência mostra que tradição não precisa ser sinônimo de algo parado no tempo.
E, convenhamos, poucas coisas combinam tanto com o espírito de uma festa alemã quanto uma apresentação capaz de surpreender até quem já conhece de cor as músicas tradicionais.
Último ensaio antes de encarar a Oktoberfest Blumenau 2026
Agora, o próximo compromisso está marcado: nesta terça-feira (13), as integrantes se reúnem para o último ensaio antes da primeira apresentação na Oktoberfest Blumenau 2026.
A expectativa é entrar no clima de uma das maiores vitrines culturais de Santa Catarina com a energia que se tornou característica do grupo. É hora de revisar o repertório, acertar os detalhes e preparar a voz para mais um encontro com o público.
Se no ensaio a preocupação é deixar tudo pronto, na festa a missão é outra: transformar a preparação em música, interação e diversão.
E há uma vantagem para quem acompanha a trajetória das Fridas: o público já sabe que pode esperar surpresas. Afinal, quando um grupo consegue unir a tradição germânica ao rock internacional, até uma música conhecida mundialmente pode ganhar uma nova cara.
A primeira apresentação está prevista para sábado (17), das 12h15 às 14h, no Setor 1 da Vila Germânica, conforme a programação oficial da Oktoberfest Blumenau 2026.
Oktoberfest Blumenau
Será mais uma oportunidade para as Fridas mostrarem por que conquistaram espaço nas festas de outubro e por que a mistura de cultura, música e irreverência continua atraindo tanta gente.
E se tocar AC/DC, já sabe: é para cantar junto!
As Fridas de Taió representam uma história que começou com o desejo de preservar tradições e ganhou novos caminhos graças à criatividade e à disposição de experimentar.
De um grupo vocal voluntário formado em 2017 a uma atração que ganhou projeção nacional com um clássico do rock, a trajetória mostra que a cultura regional pode se renovar sem perder sua essência.
Nesta noite, enquanto as vozes se encontram no último ensaio, a expectativa cresce para mais uma apresentação em Blumenau. E fica a pergunta: será que o público vai conseguir ficar parado se os primeiros acordes de Highway to Hell aparecerem?
Uma coisa é certa: na Oktoberfest, as Fridas levam a cultura alemã a sério, mas não abrem mão de se divertir.
Porque, quando tradição e rock and roll se encontram, até o mais comportado dos visitantes pode acabar cantando junto.
E aí, Blumenau, estão preparados para as Fridas?
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