Homem vive 271 dias com rim de porco antes de receber transplante humano
Homem vive 271 dias com rim de porco antes de receber transplante humano
Homem vive 271 dias com rim de porco antes de receber transplante humano
Um paciente que recebeu um rim de porco geneticamente modificado conseguiu, meses depois, passar por um transplante com órgão humano. O caso, descrito em estudo publicado na revista The Lancet nessa quinta-feira (3/9), é o primeiro a documentar essa transição e o maior tempo sem diálise após um xenotransplante renal em pessoa viva.
O norte-americano Tim Andrews, de 66 anos, viveu 271 dias com um rim de porco antes de receber um órgão humano. O procedimento foi conduzido por pesquisadores da Harvard Medical School e do Massachusetts General Hospital. Entre os autores está o médico brasileiro Leonardo Riella, especialista em transplantes.
O xenotransplante foi feito com um rim de porco modificado geneticamente para reduzir o risco de rejeição. O órgão começou a funcionar logo após a cirurgia.
Durante o acompanhamento, houve um episódio inicial de rejeição, controlado com tratamento. Também não foram identificados sinais de transmissão de doenças do animal para o paciente.
Cerca de seis meses depois, a equipe reduziu a imunossupressão por causa de uma infecção. A partir daí, o órgão começou a apresentar lesões nos vasos e sinais de inflamação, até perder a função. Foi nesse momento que o paciente recebeu um rim humano, que passou a funcionar de forma imediata.
Os pesquisadores avaliam que o uso de órgãos de animais pode servir como uma etapa intermediária para pacientes com doença renal avançada.
“A escassez de órgãos é um dos principais desafios na área de transplantes”, afirmou Leonardo Riella, um dos responsáveis pelo estudo, em comunicado do Mass General Brigham. Segundo ele, a estratégia pode ajudar pacientes a sair da diálise enquanto aguardam um órgão compatível.
A ideia é que o xenotransplante funcione como uma solução temporária, mantendo o paciente estável até que o transplante definitivo seja possível.
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que a técnica ainda precisa de ajustes. A falha do rim de porco após alguns meses indica que é necessário melhorar tanto a modificação genética dos órgãos quanto os protocolos de imunossupressão. Outro ponto em análise é o comportamento do sistema imunológico ao longo do tempo e como evitar danos tardios ao órgão transplantado.
O estudo também relata que um segundo participante conseguiu passar pelo mesmo processo, saindo de um rim de porco para um humano. Os resultados mostram, segundo os autores, que o método pode ajudar a reduzir o tempo em diálise, mas ainda depende de novos estudos antes de uso mais amplo.
Fonte: Portal Metrópoles
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