Não têm mesmo para onde ir, porque se tivessem já teriam saído’, afirma cacique sobre famílias que vivem desde 2014 na maior barragem de SC
Não têm mesmo para onde ir, porque se tivessem já teriam saído’, afirma cacique sobre famílias que vivem desde 2014 na maior barragem de SC
Não têm mesmo para onde ir, porque se tivessem já teriam saído’, afirma cacique sobre famílias que vivem desde 2014 na maior barragem de SC
As equipes que atuam nas buscas por desaparecidos após a enxurrada repentina que atingiu o Nepal precisaram interromper os trabalhos nesta sexta-feira (28). O motivo foi o transbordamento de um lago formado por um deslizamento de terra, que passou a ameaçar áreas já devastadas pela tragédia.
“Não têm mesmo para onde ir, porque se tivessem já teriam saído”. A frase da cacique Fabiana dos Santos resume a situação das famílias da comunidade indígena Laklãnõ/Xokleng que permanecem no acampamento na área da Barragem de José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí.
Segundo a liderança, há famílias que vivem no local desde 2014 e que aguardam a construção das casas prometidas pelo poder público para deixar a área.
A permanência ocorre em meio ao acordo que permitiu a retomada das obras de recuperação da maior barragem de Santa Catarina.
Os trabalhos ficaram paralisados por mais de 40 dias diante do impasse envolvendo a comunidade indígena e foram retomados na terça-feira (25).
Fabiana conta que a comunidade chegou a ser comunicada sobre uma determinação para desocupar o acampamento. O ofício recebido estabelecia cinco dias úteis para a saída das famílias.
A medida provocou preocupação entre as lideranças, principalmente porque, segundo a cacique, as pessoas que estão no local não ocuparam o local em 8 de julho.
“A gente se preocupou muito, porque ali tem famílias que estão ali desde 2014, não são famílias que entraram no dia 8 de julho, quando teve aquele episódio ruim aqui em cima da barragem. A gente se preocupou com essas famílias ali, porque quem está ali desde 2014 é sinal que não tem mesmo para onde ir, porque se tivesse já teria saído”, afirmou.
A moradia é um dos pontos centrais da situação. Conforme levantamento divulgado pela reportagem nesta quarta-feira (26), 48 casas estão previstas para famílias indígenas, em obras distribuídas entre José Boiteux, Vitor Meireles e Itaiópolis.
Em José Boiteux, são 33 casas, das quais nove haviam chegado à fase de acabamento na última vistoria. No total, considerando as três cidades, 13 das 48 unidades estavam nessa etapa, o equivalente a cerca de 26%.
O prazo final informado pela Defesa Civil de Santa Catarina para a entrega das casas é março de 2027. As obras de reforma, aguardadas há 22 anos, porém, avançam em ritmos diferentes, e a entrega ocorre de forma progressiva conforme cada unidade fica pronta.
É justamente essa espera que, segundo Fabiana, impede que as famílias deixem o acampamento imediatamente.
“Eles vão continuar ali nos seus barracos, esperando a hora de sair dali definitivamente. E eles só sairão dali a partir do momento que tiverem as suas casas prontas para que eles possam sair dali também em segurança”, afirmou.
A cacique já havia relatado à reportagem que mais de dez famílias permaneciam na área aguardando as moradias prometidas pelo Estado.
Fonte: Portal ND
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