Homens jovens lideram ranking de resgates de trabalho análogo à escravidão em SC
Homens jovens lideram ranking de resgates de trabalho análogo à escravidão em SC
Homens jovens lideram ranking de resgates de trabalho análogo à escravidão em SC
Jovens, homens e migrantes são a maioria das pessoas resgatadas em condições de trabalho análogo à escravidão em Santa Catarina. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego, obtidos via Lei de Acesso à Informação pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública, mostram que 260 trabalhadores foram resgatados no Estado entre 2018 e 2025. No Brasil, foram 16,2 mil resgates no mesmo período.
Em Santa Catarina, a maioria das pessoas resgatadas em situação de trabalho análogo à escravidão é do sexo masculino: 90%, sendo 236 homens. Em relação as mulheres, foram 24 resgatadas no período. Já a faixa etária com maior incidência é a de 18 a 24 anos, que concentra 83 casos.
O procurador Acir Alfredo Hack, do Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina (MPT-SC), traça o perfil da maioria das pessoas resgatadas no Estado:
"São homens com menos de 40 anos, pardos, com baixa escolaridade, de regiões pobres do Nordeste e Norte do Brasil ou de países vizinhos como a Argentina."
O auditor-fiscal do trabalho e coordenador do projeto “Combate ao Trabalho Análogo ao de Escravo SC”, Henrique Ascenção Gouvêa, também explica que entre os motivos que levam essas pessoas a serem submetidas a este tipo de situação é a promessa de ganhos rápidos.
"Geralmente tudo começa com o “Gato” (agenciador). Ele faz promessas de alojamento gratuito, alimentação e salários altos. Frequentemente, o recrutamento ocorre em outras regiões, como Norte e Nordeste ou cidades vizinhas, para que o trabalhador fique isolado geograficamente e dependa do transporte do empregador" descreve.
Já sobre a predominância de homens jovens entre os resgatados, o especialista diz que isso está relacionado ao esforço físico exigido em atividades agrícolas e à vulnerabilidade econômica desse grupo.
"Os homens são recrutados para atividades que exigem força bruta e resistência, como o carregamento de sacos de cebola. Além disso, esses jovens estão em busca do primeiro emprego ou sustento familiar imediato e aceitam promessas falsas de ganhos rápidos", explica Henrique.
O procurador do MTP Acir Alfredo Hack pondera que, embora o Estado ocupe a 14º posição entre as unidades federativas que mais registraram casos durante o período, o número ainda assim é considerado preocupante.
"Um resgate já seria muito. São números alarmantes. Essas pessoas resgatadas foram submetidas a condições graves, e quem as recrutava parecia não ter medo das consequências" afirma.
Cidades de SC onde pessoas foram resgatadas entre 2018 e 2025:
Ituporanga – 64
São Joaquim – 46
Florianópolis – 30
Rio do Sul – 24
Itapiranga – 20
Urubici – 15
Imbuia – 13
Chapadão do Lageado – 12
Criciúma – 12
Lages – 11
Bom Retiro – 6
São José do Cerrito – 2
Passos Maia – 3
Ilhota – 1
Jupiá – 1
Fonte: Portal NSC
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